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História Geral da África – nono volume

Quarta, 29 Maio 2013 17:22

Foto Africa

A Coordenadora-Geral de Educação para as Relações Étnico-Raciais, Ilma Fátima de Jesus, representou o MEC em uma reunião em Addis Abeba – Etiópia que teve como objetivo discutir a elaboração do 9º Volume da Coleção História Geral da África, coordenado pela UNESCO/Paris. Neste encontro estiveram presentes especialistas e pesquisadores de História da África, sendo que a delegação brasileira foi composta pela coordenadora e pelos professores: Valter Silvério (UFSCar), Kabengele Munanga (USP); Muryatan (USP), Eliza Larkin Nascimento (IPEAFRO); Cristina Trindad (UNESCO).  Nesta entrevista, Ilma conta sobre a importância deste evento para a educação brasileira e também para sua vida.

 

O que foi tratado nos dias de reunião em Adis Abeba?

 O encontro foi dividido em cinco sessões que trataram basicamente da revisão e atualização da coleção de História Geral da África. Na quarta sessão teve uma discussão para identificação dos principais acontecimentos políticos, socioeconômicos e ambientais que ocorreram na África desde os anos 90 como as novas ameaças e oportunidades que a África enfrenta e quais são os principais desafios e como abordá-los no 9º volume. Na quinta sessão se debateu a definição das diferentes diásporas africanas e a principal contribuição delas para a construção das sociedades modernas e mesmo o papel que as diásporas africanas têm no contexto internacional contemporâneo.

 Qual a importância da Coleção História Geral da África no contexto internacional?

 A publicação da coleção História Geral da África no contexto internacional é grandiosa porque se tem a valorização da história e cultura africana. Nela está presente uma História da África tratada na perspectiva positiva com temas como: papel da memória histórica; ancestralidade e religiosidade africana; civilizações que contribuíram para o desenvolvimento da humanidade; civilizações e organizações pré-coloniais como os reinos africanos; a visão dos escravizados sobre o tráfico e escravidão.

 E para a educação brasileira, qual a importância desta coleção?

 A edição em português da Coleção História Geral da África é um instrumento importante para o combate ao racismo, ao preconceito racial e à discriminação racial.

 Qual o tema no nono volume e sua importância para os africanos?

 O nono volume abordará as relações entre as histórias dos povos do continente africano e os da diáspora; a diversidade da diáspora nas Américas, Caribe, etc; acordos políticos, econômicos, educacionais e culturais entre África, Brasil e países da diáspora; contribuições culturais, tecnológicas e a produção científica na atualidade; a participação dos africanos e descendentes na diáspora na história mundial  que possibilitaram avanços econômicos, sociais e culturais, bem como suas lutas sociais. Ressalto que a delegação brasileira teve papel fundamental na discussão sobre as diferentes diásporas: lutas pela dignidade, liberdade e desenvolvimento; as principais contribuições da diáspora africana para construção das sociedades modernas e para a emancipação e unidade da África; o que podem as diásporas africanas fazer no contexto internacional e regional e quais os são os desafios da diáspora africana enfrentados hoje.

 Por que isso é importante para os brasileiros?

 A produção do 9º volume contemplando a diáspora e a história africana contemporânea contribui para sanar a lacuna que a historiografia brasileira possui sobre a história dos descendentes de africanos. Também é importante porque o material acompanha a implementação da Lei nº 10.639/03 que modificou a LDB inserindo a história e cultura africana e afro-brasileira como conteúdo obrigatório nos currículos da educação básica. Além disso, a obra é importante por ter em seu cerne a valorização da história e cultura africana e afro-brasileira em uma perspectiva positiva.

 Foi a primeira vez que você esteve na África. Qual o sentimento de pisar em solo africano e de participar de alguma forma da elaboração deste tão importante livro?

 O sentimento de pisar em solo africano pela primeira vez para quem tem consciência das raízes africanas presentes na vida é de uma emoção imensa, principalmente quando se tem uma trajetória no movimento negro que reivindicou a inserção da História da África e dos negros no Brasil no currículo escolar brasileiro. Eu esperava ansiosamente pelo momento em que teria condições de realizar uma viagem para o continente africano, porém não tinha noção de quando seria e, enfim, esse momento se concretizou para minha felicidade. Sou muito grata pela oportunidade que me foi dada e me sinto imensamente feliz por ter ido à Etiópia, país africano que pesquisei no final dos anos 90 quando cursava o Mestrado em Educação na UFMA. Eu pesquisei a comunidade remanescente de quilombo de São Cristóvão, no município de Viana, Maranhão, estado onde nasci, e que o líder quilombola, Senhor Diomar, informou que os "brancos" da sede do munícipio de Viana se reportavam aos quilombolas daquela comunidade como o povo da Abissínia, hoje Etiópia. Isso fez com que aprofundasse o meu conhecimento sobre aquele país. A emoção também foi grande ao visitar o palácio do imperador da Etiópia, Haile Selassie, conhecido como o que encerra o ciclo de impérios na Etiópia e que participa da criação da Organização da Unidade Africana e tem reconhecida influência sobre o movimento negro, em especial em lideranças do movimento negro como Martin Luther King e Nelson Mandela.

 

 

Rosilene S. da Costa

Palavras- Chave: História, África, Educação

 

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